Criada em 1997 pela Fundação Biominas, hoje Biominas Brasil, a incubadora mineira Habitat, com sede em Belo Horizonte, provê infraestrutura e serviços especializados para empresas de biociências nascentes e com potencial de crescimento, de qualquer região do país. Hoje, são 16 empresas instaladas em um edifício de 3 mil metros quadrados, na capital mineira. Até 2011, passaram pela incubadora 44 empresas, com faturamento conjunto, enquanto se desenvolviam, de R$ 120 milhões. Destas, 20 já ingressaram no mercado, com receita de R$ 550 milhões, de 2002 a 2011. A Biominas Brasil, uma instituição privada, nasceu em 1990 com o propósito de promover empresas e negócios na área de biociências no país. De acordo com estudo da Biominas e da PriceWaterhouseCoopers, existem hoje no país 271 empresas de biociências, das quais 143 de biotecnologia.

Até colocar um produto no mercado, uma empresa de biociências precisa obter licenciamentos, incluindo o da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que leva em média dois anos e meio, de acordo com Angélica Salles, diretora da Biominas. Por isso, os custos iniciais para montar uma companhia do setor são altos. “Até conseguirem os licenciamentos, a infraestrutura é ponto critico para essas empresas”, diz Angélica. O compartilhamento de espaços, incluído no valor do aluguel, reduz os custos. Mesmo depois de entrar no mercado, as companhias ficam entre seis e oito anos na incubadora, até montarem a sua própria sede, pois suas futuras instalações também têm de obter todos os licenciamentos.

Entre as empresas instaladas na incubadora estão a Bioaptus, que produz um anticorpo sintético destinado ao mercado de medicina laboratorial, e a Ampligenix, que fabrica e vende produtos biotecnológicos, incluindo kits de biologia molecular para diagnósticos médicos, veterinários e de doenças vegetais. Já a Technodry Liofilizados Médicos produz colágeno a partir da carne bovina, utilizado na indústria cosmética e para controlar hemorragias nas áreas médica e odontológica, e a Ceelbio fabrica produtos cerâmicos bioativos que podem ser usados como substitutos ósseos em implantes dentários e ortopedia.

Fonte: Revista Valor, Especial – Inovação de Alto a Baixo | Junho 2012