20130416120551754751eA presidente participou de evento na sede da Fiemg, onde assinou parceria com governo estadual e iniciativa privada para construção de fábrica de insulina em Minas, a única do Brasil.

Ao discursar na manhã desta terça-feira, na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte, a presidente Dilma Rousseff (PT) destacou que o seu governo não está “descobrindo as índias nem o Brasil” ao implementar uma política econômica para, de acordo com ela, resgatar milhões de brasileiros da pobreza. Dilma disse estar apenas desenvolvendo uma política praticada em outros países que, a exemplo do Brasil, tem um mercado lastreado por milhões de consumidores. “Somos 200 milhões de brasileiros e nosso mercado é algo relevante”, enfatizou. Em meio ao cenário econômico desfavorável, com alta da inflação, a presidente afirmou que que “não há a menor hipótese” de o Brasil não crescer neste ano. “Vamos colher o que plantamos e aqui ( na sede da Fiemg) acabamos de plantar mais uma semente”.

Acompanhada de ministros, do governador Antonio Anastasia (PSDB) e de lideranças empresariais, a presidente assinou, na manhã desta terça-feira, termo de cooperação entre os governos federal, estadual e o setor privado que irá permitir ao Brasil, depois de mais de uma década, voltar a produzir insulina humana para o tratamento de diabéticos, que no país somam quase um milhão de dependentes do medicamento. A parceria vai dar condições à retomada da produção de insulina humana pelo laboratório privado Biomm Techonology.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a iniciativa não só irá beneficiar com a distribuição gratuita do medicamento. Ele destacou ainda que a nova fábrica vai ampliar as oportunidades de trabalho em um mercado – o de produção de medicamentos, equipamentos e oferta de serviços de saúde-, representa 9% do PIB brasileiro e que emprega ainda 10% dos trabalhadores com formação universitária. O ministro ainda destacou que esse mercado é responsável por um terço dos investimentos feitos no país na área de inovação tecnológica.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que o evento estava sendo aa oportunidade para a “celebração da retomada da política industrial no Brasil”. Pimentel lembrou que o fechamento da então Biobrás, da qual da Biomm é fruto da sua cisão em 2002, só aconteceu em função “de uma circunstância da política econômica”, sem citar o responsável por essas diretrizes, traçadas então pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), afirmou que a retomada da produção da insulina humana por uma fábrica brasileira “manifesta a parceria entre os governos federal, estadual, a universidade e o setor privado em um setor estratégico para o país”. Anastasia ainda ressaltou que “o espírito federativo da presidente move todos os governadores do país”. O governador ainda destacou ainda que a parceria firmada na manhã desta terça-feira é mais “um passo importante, do esforço de Minas Gerais na nova economia do país”.

Biomm Techonology

A Biomm é fruto da cisão da antiga Biobrás, pioneira na produção de insulina no Brasil. Em 2002, o controle acionário da Biobrás foi vendido para a empresa dinamarquesa Novo Nordisk. Contudo, a holding controladora Brasileira, Biopart Ltda., reteve a patente de processo de uso do DNA recombinante e criou a Biomm.

A nova fábrica para a produção de insulina humana e proteínas terapêuticas será construída em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e está orçada em R$ 330 milhões e deverá entrar em operação daqui a dois anos e meio, conforme anunciou nesta terça-feira, o presidente da Biomm S.A, Carlos Marque de Freitas.

Entre os acionistas da Biomm estão os empresários Walfrido dos Mares Guia e Guilherme Emrich, antigos proprietários da Biobrás, que a venderam para a Novo Nordisk –, o BNDES Participações – BNDES Par, com 25,42% das ações preferenciais, e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais – BMDG, que tem a participação de 8,8%.

A previsão é de que a unidade deva entrar em operação em 2015, com a produção anual de 20 milhões de frascos de insulina. De acordo com um dos sócios-proprietários da Biomm, Guilherme Emrich , a nova fábrica será “ a mais moderna do mundo”, pois contará com equipamentos de última geração.

 

Fonte: Estado de Minas