Habitat goes global

Por Rafael Silva, Analista de Projetos da Incubadora Habitat.

 

“Pensar global e agir local” é um lema que tem influenciado a atuação das instituições nos últimos anos em todo o mundo. Com as incubadoras de empresas não poderia ser diferente. Hoje são muitas as iniciativas que propõem possibilidades de internacionalização através de ações de cooperação internacional interinstitucional.

Estas iniciativas visam prospectar parcerias para oferecer serviços desoft-landing, uma espécie de serviço de co-incubação para empresas inovadoras e que desejam explorar novos mercados. Geralmente, o soft-landing pode incluir desde o apoio logístico, como escritório virtual e condições de instalação em diferentes países; acesso a possibilidades de negócios locais através da disponibilização de informações de mercado, agendamento de reuniões e facilidade para participação em eventos; até o apoio especializado com consultores e assessores para temas específicos.

A HABITAT, incubadora de empresas gerida pela Biominas Brasil, por exemplo, tem sido procurada por incubadoras, parques tecnológicos e projetos de outros países a fim de formalizar parcerias que favoreçam a trajetória de suas empresas incubadas rumo ao exterior. Percebe-se, ainda, uma intensificação desse processo sendo que, só no mês de novembro de 2013, representantes de cinco iniciativas europeias visitaram a incubadora.

Parceiras internacionais no horizonte

A primeira delas foi a comitiva do projeto ‘Feeding the Planet’ que é co-financiado pela União Europeia e é responsável por conectar três das principais organizações europeias ligadas ao suporte a empresas dos setores de biotecnologia e agroalimentar a projetos e instituições nos países dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia e China. São essas as organizações:  o parque italiano Fondazione Parco Tecnologico Padano, o centro de pesquisa francês Agropolis International e a agência holandesa East Netherlands Development Agency –

Os contatos foram iniciados durante a última edição do evento BioPartnering Latin America, organizada pela Biominas Brasil em setembro de 2013, e o objetivo da missão, neste momento, é prospectar interessados no fortalecimento e criação de novas parcerias nos setores alvo do programa, buscando principalmente fomentar acordos bilaterais entre empresas, incubadoras, clusters e instituições de apoio ao desenvolvimento empresarial.

A HABITAT recebeu também a representante do Pólo do Mar e do Pólo das Biotecnologias do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC, Portugal) que, além de conhecer a infraestrutura da incubadora, demonstrou interesse em instituir iniciativas do tipo soft-landing entre as empresas incubadas das duas instituições. Durante a visita, deu-se início a um trabalho de intercâmbio de experiências e de mapeamento em que já foi possível identificar empresas pares em três seguimentos distintos.

Um dos diferencias das empresas incubadas no UPTEC e que colabora com a formação de parcerias internacionais é a fase de internacionalização que encerra o ciclo de incubação (pré-incubação, incubação e internacionalização). Neste último estágio, é esperado que as empresas incubadas ampliem a sua carteira de clientes, ao mesmo tempo em que iniciem a expansão do seu negócio através da entrada em novos mercados.

A HABITAT recebeu ainda a visita do vice-presidente do Instituto Politécnico do Porto que, por sua vez, está liderando um projeto financiado pela União Europeia e voltado para criação de uma rede de contatos a fim de fomentar a interação entre empresas incubadas e graduadas no Brasil e em Portugal e de apoiar a internacionalização de seus produtos ou serviços. A HABITAT é uma das incubadoras mapeadas para participação no projeto cuja primeira fase tem previsão para iniciar no primeiro semestre de 2014 em cinco estados no Brasil – Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Como posicionado de modo mais claro pelo projeto alavancado pelo Instituto Politécnico do Porto, todas estas iniciativas refletem o destaque que a relação entre a globalização e as temáticas de empreendedorismo e inovação tem alcançado nas agendas econômica e de política pública em países desenvolvidos e emergentes. Ao mesmo tempo, surgem no horizonte como alternativas promissoras para o fortalecimento das empresas incubadas, principalmente, no que diz respeito a possibilidades de cooperação técnica e expansão de mercado.

Fonte: Incubadora Habitat