ABDI (3)As informações referentes ao portfólio de tecnologias e de produtos/processos bem como o desenvolvimento tecnológico nas ICTs ainda não estão mapeadas no País. Os detentores destas informações são os NITs, criados nas diferentes Instituições a partir de 2004, ou seja, depois da publicação da Lei de Inovação no Brasil. É importante ressaltar que nem todos os NITs existentes hoje no País (cerca de 220, conforme dados do Fórum Nacional dos Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia – FORTEC) estão organizados e em funcionamento adequado para manter e disponibilizar estas informações.

A Transferência de Tecnologia (TT) é um dos indicadores de maior relevância mundial para a concretização e o avanço de áreas tecnológicas no mundo. No Brasil, muito ainda precisa ser feito para efetivamente viabilizar este processo de TT, em especial, aquelas desenvolvidas nas ICTs para que as empresas nacionais ou internacionais possam transformar o conhecimento gerado em tecnologia e/ou produtos/processos para o mercado. Na área de Biotecnologia isto ainda se encontra em fase incipiente, necessitando de uma abordagem inteligente e racional para que as informações sobre os projetos que envolvem a biotecnologia, sejam na área de Saúde, Agropecuária, Industrial ou Ambiental, possam ser disponibilizadas para as empresas/bioindústrias com a finalidade de avaliar a possibilidade de TT para o setor privado e sociedade.

Os NITs hoje enfrentam desafios que se não forem resolvidos a curto/médio prazo certamente irão inviabilizar a sua eficiência e consequentemente a TT no Brasil. Outros países já realizam ações de apoio aos seus escritórios de TT há muito tempo (exemplo da AUTM do EUA) e mesmo assim consideram que muito ainda precisa ser feito. Os NITs no Brasil enfrentam vários desafios, mas certamente os três mais importantes, no momento, se referem a: 1) quadro de pessoal que não consegue ser fixado, já que não existe a função de “gestor de inovação” nos quadros das ICTs, o que impossibilita a atração de pessoas com perfil adequado para exercer esta função; 2) qualificação do pessoal, que embora em pequeno número e sem apoio de qualificação constantes, se esforçam para cumprir suas responsabilidades na rotina dos NITs; 3) Entendimento da legislação de inovação por parte dos Departamentos Jurídicos das ICTs, o que dificulta e as vezes impede a TT ou outras formas de parceria com empresas. Algumas ICTs estão hoje funcionando de forma mais eficiente e adequada em função do melhor entendimento do que de fato envolve a TT.

O projeto de Biotecnologia da Coordenação de Inovação da ABDI, a Secretaria de Inovação do MDIC e a Fundação Biominas realizaram no evento BIO Latin America um Fórum de NITs onde 10 deles, pré-selecionados entre os melhores do País, apresentaram suas patentes em biotecnologia depositadas no INPI, para possíveis parcerias com o setor produtivo. O objetivo deste projeto é o de facilitar e catalisar o processo de “Aproximação Academia – Indústria”.

Os representantes dos NITs participaram do evento com o apoio da SI-MDIC e da ABDI. Os resultados esperados são:

1) contribuir com a qualificação dos atuais gestores dos NITs no contato com empresas para apresentação dos seus portfólios de tecnologias disponíveis para eventuais parcerias;

2) induzir e aprimorar o processo de TT das ICTs para empresas de base tecnológica no País;

3) induzir o processo de inovação das empresas aumentando a sua competitividade. Com essa participação os gestores dos NITs apresentaram as patentes em biotecnologia de suas instituições em um ambiente de negócios específico, e por estarem inseridos em ambientes de negócios, os membros dos NITs das universidades e institutos de pesquisa brasileiros ofereceram ideias sobre o ecossistema e as oportunidades em suas respectivas regiões de atuação. As perspectivas futuras de apoio da ABDI ao aprimoramento da relação universidade-empresa envolvem ações de continuidade deste projeto de aproximação academia-empresa, por meio da expansão da experiência adquirida com o Fórum dos NITs na BIO Latin America para outros NITs do País, em parceria outras Instituições parceiras como o MDIC, MCTI, MEC, Fortec, visando estimular o processo de TT no Brasil.

Wilker Ribeiro Filho
Especialista em projetos em Biotecnologia
Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)
 
Maria Sueli Felipe
Coordenadora de Inovação
Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)
www.abdi.com.br

 

15272320823_7edb08ae10_bEste case é parte integrante do Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais, elaborado pela Biominas Brasil em parceria com o SEBRAE Minas. O Diagnóstico apresenta um comparativo entre o ambiente de negócios do segmento de 2004 e de 2014. O estudo analisa quatro fatores essenciais na geração de um ambiente inovador nas empresas: estratégia de pesquisa e desenvolvimento e inovação; estabelecimento de parcerias; recursos financeiros para a inovação; políticas públicas voltadas para a inovação. Este Diagnóstico traz ainda conclusões que buscam orientar as discussões entre os principais agentes envolvidos e contribuir para o avanço e a consolidação do setor de Biociências em Minas Gerais.

Faça o download gratuito do Diagnóstico completo no site da Biominas (www.biominas.org.br) e do Sebrae (www.sebrae.com.br).