healthcare medicationEnquanto muitos setores da economia estão desacelerando investimentos esperando por melhores condições macroeconômicas, a indústria farmacêutica está em plena expansão, adquirindo novas unidades no exterior e fazendo aportes em países com desenvolvimento em inovação, como os Estados Unidos. Esse relato foi feito por executivos do setor durante seminário sobre a indústria farmacêutica brasileira e a agenda para a inovação do setor, promovido pelo Valor em Brasília.

“No setor farmacêutico, nós tivemos um conjunto de políticas que, ao longo das últimas décadas, foram bem concebidas e encontraram campo fértil no empresariado brasileiro e que, agora, estão entrando numa segunda onda de desenvolvimento”, afirmou Reginaldo Arcuri, presidente-executivo do Grupo FarmaBrasil. “A nossa perspectiva é de acelerar esse desenvolvimento.”

Segundo Arcuri, a desvalorização do real afeta pouco o setor. A indústria nacional importa matéria-prima e, portanto, há um impacto. “Mas o mais decisivo não é o cambio, e sim a competitividade dessa indústria e a inovação.”

O empresário enfatizou que as empresas brasileiras estão comprando unidades em vários países da América Latina, como Argentina, Uruguai, Peru, Chile e Colômbia. Além disso, as empresas nacionais estão atuando nos EUA através de “joint ventures” ou de investimentos em “start-ups” que já possuem patentes de medicamentos na fase pré-clínica. “São pouquíssimos setores no país que estão fazendo um movimento em direção à competição tecnológica, e não buscando se defender ou se proteger dela”, disse.

Carlos Sanchez, presidente do Conselho Deliberativo do Grupo FarmaBrasil, afirmou que, enquanto o Brasil investe 0,5% ou 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em inovação, as indústrias do setor aportam de 6% a 8%. “E esses 8%, apesar de um esforço enorme, ainda representam um número pequeno em relação ao mundo”, ressaltou.

“Nós queremos chegar a um alto valor agregado do produto e isso não vale apenas para o Brasil, mas para o mundo”, continuou, Segundo Sanchez, o mercado brasileiro equivale a 2% ou 3% do mundial. “Nós precisamos ir para a Europa e para os Estados Unidos e, para isso, precisamos de ajuda regulatória.”

O presidente da Bionovis, Odnir Finotti, afirmou que o setor está em franca expansão. “A agenda positiva do país, hoje, é o setor farmacêutico e, em especial, o de biotecnologia”, disse. “Enquanto a maioria dos setores do país está aguardando, nós estamos caminhando, com produtos com tecnologia e investimentos em ativos fixos, como a construção de fábricas.”

Em 2009, o Brasil estava na décima colocação entre os maiores mercados mundiais do setor farmacêutico. No ano passado, o país já ocupava a sexta posição e a previsão é que suba para o quinto lugar em 2019, quando deve ficar atrás apenas dos EUA, China, Japão e Alemanha.

Fonte: Valor