Por Thiago Bajur, Gerente executivo da Arkmeds  e Laura Lunardi, Analista Técnica da Biominas Brasil 

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Poucas pessoas conhecem a engenharia clínica e sua importância na gestão de serviços hospitalares. Derivada da engenharia biomédica, a engenharia clínica foca na gestão de tecnologias de saúde, usando conhecimentos de engenharia e técnicas gerenciais para proporcionar uma melhoria nos cuidados dispensados ao paciente.

Para se ter uma ideia dessa importância, a resolução nº 2 de 2010, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e que dispõe sobre o gerenciamento de tecnologias em estabelecimentos de saúde, recomenda que centros de saúde devam ter entre seus gestores um profissional especializado em engenharia clínica. Essa medida é essencial para o bom funcionamento destes estabelecimentos e, com o suporte de uma equipe de técnicos, possibilita a formação de um setor especializado dentro da unidade de saúde. Nesse contexto, um engenheiro clínico participará dos principais processos de gestão de um hospital, desde a gestão de tecnologia, de resíduos, até mesmo a gestão de finanças. Dessa forma, seu trabalho pode levar à otimização de recursos, facilitação de processos e diminuição das chances de erros. Porém, muitas vezes, a engenharia clínica é vista pelos olhos da gestão como um gasto supérfluo e não como um investimento em gestão e melhoria contínua.

Dentre os vários motivos que mostram a importância da engenharia clínica como apoio na gestão hospitalar, destacam-se:

  • Redução de gastos em compras e terceirização de serviços.

Um estudo científico divulgado na Revista Brasileira de Engenharia Biomédica mostrou que a presença de uma equipe de engenheiros diminuiu significativamente os custos contratuais do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Em 2010, sem essa equipe, teriam sido gastos cerca de 3,6 milhões de reais em contratos de compras de gases medicinais e serviços de diagnóstico por imagem. Ao contrário, foi possível fazer um melhor dimensionamento das reais necessidades do hospital e renegociar as demandas junto aos fornecedores, diminuindo significativamente os gastos para 737 mil reais. Considerando-se a manutenção de equipamentos, a diferença também foi enorme. Com o estabelecimento de uma equipe de Engenharia clínica, uma economia de cerca de 2 milhões de reais foi observada na unidade.

  • Acreditações de qualidade.

Cada vez mais os hospitais têm buscado títulos de excelência. Para isso, buscam acreditações de qualidade, tais como certificados ISO (International Organization for Standardization) ou ONA (Organização Nacional de Acreditação). É papel da engenharia clínica ajudar a melhorar o fluxo de trabalho por meio da padronização de processos, organização de evidências e a melhoria de outros componentes e políticas do parque tecnológico das unidades que pretendem ser acreditadas. Dentre alguns pontos, pode-se destacar a implementação de políticas de papel zero, onde os documentos, agora em formato digital, podem ser acessados de forma mais fácil e rápida durante processos de auditoria levando à economia de tempo, espaço e dinheiro.

  • Melhor aproveitamento e logística de leitos e controle do parque tecnológico.

Taxas de ocupação de leitos hospitalares abaixo de 75% indicam baixa utilização e ineficiência na gestão do hospital. A baixa utilização deste recurso pode indicar falha na gestão do hospital ou inadequada articulação com a rede de serviços. Um exemplo de falha na articulação é a falta de equipamentos mínimos nos quartos ou nas enfermarias que muitas vezes estão disponíveis, mas a localização deles no hospital é dificultada. Tal fato pode levar, inclusive, à aquisição desnecessária de novos equipamentos.  Esse retrato evidencia a necessidade por melhorias em processos de organização, treinamento e planejamento que poderiam ser otimizadas por meio, por exemplo, da utilização de tecnologias como a Identificação por radiofrequência (RFID), visando a otimização de processos e melhorias na qualidade do atendimento aos pacientes.

  • Automatização de processos e rastreabilidade.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), de 20 a 40% dos gastos em centros de saúde são ocasionados por desperdícios. No entanto, a rastreabilidade da origem destes desperdícios ainda é um problema. A falta de informações relacionadas ao fluxo de processos impossibilita o dimensionamento de perdas e a instalação de medidas preditivas e/ou corretivas.  Dados também são importantes na avaliação do momento ideal de desativação de um determinado equipamento, seja por um aumento do custo relativo de manutenção ou pela redução da confiabilidade. A falta de manutenção mascara informações importantes necessárias para avaliação da confiabilidade de equipamentos para utilização em procedimentos cirúrgicos, por exemplo. Um centro de engenharia clínica pode trabalhar com ferramentas de monitoramento remoto para análise de informações em tempo real, diminuindo tais riscos. Medidas preditivas, como reposição de insumos, calibrações, entre outros, podem ser feitas automaticamente sem a necessidade de inspeções e visitas técnicas frequentes. Além de reduzir o tempo gasto em inspeções, são reduzidas as chances de interrupção de serviços e procedimentos, seja por falta de insumos, defeitos em aparelhos ou por condições inadequadas de operação.

Como exposto, as vantagens da engenharia clínica como apoio à gestão hospitalar são inúmeras. Para saber mais, consulte a Arkmeds, empresa que desenvolve tecnologias para ajudar no suporte à engenharia clínica.

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A Arkmeds participou da primeira rodada de pré-aceleração do programa BioStartup Lab, iniciativa da Biominas Brasil e do SEBRAE Minas.