Nos últimos 20 anos, ganho econômico aos produtores rurais já soma aproximadamente US$ 33 bilhões.

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A adoção da biotecnologia na agricultura brasileira, por meio do uso cada vez mais intensivo de sementes transgênicas – particularmente na produção de grãos e fibras -, proporcionou um ganho econômico aos produtores rurais de aproximadamente US$ 33 bilhões no acumulado dos últimos vinte anos. Foi o que destacou Paula Carneiro, diretora da Céleres assessoria agronômica, em palestra nesta sexta-feira (28), em São Paulo (SP), durante a BIO Latin America Conference.

“Os benefícios decorrem da redução da necessidade do uso de defensivos agrícolas e do aumento de produtividade”, ressaltou Paula, explicando que as sementes geneticamente modificadas existentes no País têm como características serem resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas. Segundo a executiva, a expectativa é que estes ganhos possam chegar a cerca de US$ 66 bi ao fim dos próximos dez anos. “O produtor rural tem notado os resultados econômicos e ambientais gerados pela biotecnologia”, acentuou Paula.

De acordo com dados citados pela executiva, a área de grãos brasileira na temporada 2015/16 cultivada com sementes geneticamente modificadas atingiu 45 milhões de hectares, o que corresponde a algo em torno de 77% do plantio total – aproximadamente 58 milhões (ha). Na soja, principal cultura do País, 95% do cultivo já são feitos com sementes transgênicas. No milho – incluindo primeira e segunda safra -, o percentual é de 87% e no algodão chega a 78%.

Na esfera ambiental, Paula destacou como benefícios proporcionados pela biotecnologia no campo, o menor uso d’água, a redução no consumo de combustíveis – especialmente diesel – nas máquinas e implementos agrícolas, e consequente diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE), entre outros.

Entre os desafios daqui em diante, a executiva chamou a atenção para o fato de que a adoção da biotecnologia ainda é heterogênea no País – com regiões em diferentes estágios de contato e uso dos transgênicos -, e que as sementes geneticamente modificadas não são a salvação da lavoura, seja em termos econômicos e/ou ambientais. Segundo Paula, a produção sustentável no campo está atrelada à combinação entre biotecnologia, manejo integrado de pragas [produtos químicos e biológicos], rotação e consórcio de culturas, entre outras tecnologias, técnicas e processos.

Fonte: Infomoney