Recebi na semana passada um ótimo estudo publicado em janeiro/2017 pela KPMG, intitulado Pharma Outlook 2030: From evolution to revolution. O relatório trata basicamente do que os autores chamam das duas mudanças sísmicas que afetam a indústria farmacêutica no momento. Inclui também uma rápida, mas interessante comparação do impacto da tecnologia em duas indústrias maduras: farma e automobilística, mostrando que o surgimento de startups tecnológicas focadas em mobilidade (e não automóveis) como Uber, Tesla e mesmo Google é um sinal do que certamente irá ocorrer também com o setor farmacêutico. O entendimento de como a tecnologia de uma forma ampla irá afetar os modelos de negócios atuais é o grande desafio para os executivos do setor.

Mas voltemos às mudanças sísmicas. A primeira é a pressão de planos de saúde e governos por reduções de preços de medicamentos. Mais do que simplesmente uma negociação de preços, existe uma tendência por alterar o modelo usual de fee-for-service por pagamento pelo sucesso dos produtos e procedimentos nos tratamentos e reduções no custo do sistema. O estudo mostra alguns casos, como o que envolve o plano de saúde Cigna com empresas farmacêuticas fornecedoras de medicamentos para controle de colesterol. A seguradora tem desconto caso os níveis de colesterol dos pacientes não sejam reduzidos.

A segunda mudança envolve a alteração de paradigma do setor com o incremento de uma medicina baseada na prevenção ao invés do foco principal em melhores tratamentos. As novas tecnologias de diagnóstico, em especial molecular, em conjunto com a melhoria na gestão dos dados de pacientes (data bank), terão um impacto enorme na indústria de medicamentos. Testes genéticos que identificam a chance de desenvolver doenças, como os já conhecidos BRCA1 e BRCA2 para câncer de mama e ovário, possibilitam o direcionamento de medidas preventivas, como mamografia, cirurgia profilática e quimioterapia preventiva. Diversos aplicativos têm também sido desenvolvidos para monitorar e educar pessoas e pacientes, e informar médicos em casos de urgência.

A percepção destas duas tendências está entre as razões para o lançamento na semana passada da rodada Biostartup Lab (inscrições abertas !) em conjunto com a Interfarma, associação de mais de 60 empresas farmacêuticas de pesquisa. Buscamos identificar e apoiar empreendedores e cientistas com uma ideia ou um projeto que possam gerar um impacto no dia-a-dia de pessoas, pacientes, profissionais e do próprio sistema de saúde. Os projetos selecionados receberão assistência para definição do modelo de seu negócio e treinamento em aspectos relevantes do setor. Além disso, terão acesso a mentores da indústria desde o início, aumentando as chances de um acordo com uma (ou mais) das empresas associadas.

Para cada mudança sísmica, novas soluções !

PS1. Quais são as startups brasileiras em saúde com alto potencial ? Gostaria de reunir uma lista a partir de sugestões e opiniões. Por favor, envie suas indicações.

PS2. Estes artigos são de minha autoria, com o objetivo de informar e discutir temas de empreendedorismo e inovação em ciências da vida. Fiquem à vontade para enviar comentários, cases e sugestões. 

Presidente & CEO desde 2003. Atua há mais de 25 anos na identificação e análise de oportunidades, na estruturação e gestão de negócios e de projetos de promoção no setor de ciências da vida.


Eduardo Emrich | Diretor Presidente

Presidente & CEO desde 2003. Atua há mais de 25 anos na identificação e análise de oportunidades, na estruturação e gestão de negócios e de projetos de promoção no setor de ciências da vida.
eduardo@biominas.org.br