Tempo de Leitura: 10 minutos

O que você vai ler neste artigo:

  1. Introdução
  2. Parcerias com Universidades e Centros de Pesquisa
  3. Parcerias Corporativas
    1. Corporate Venture
    2. Joint Venture
    3. Fusões, Aquisições e Incorporações
  4. Classificação quanto aos objetivos e grau de envolvimento
  5. Classificação quanto à execução do P&D
  6. Conclusão

Introdução

Em uma realidade cada vez mais acirrada, lutar contra concorrentes, baratear a produção e ajustar as ofertas existentes não é mais suficiente para gerar vantagens competitivas que o ajudem a sobressair no mercado.

A inovação, através do desenvolvimento de novos produtos e serviços, mostra-se essencial para qualquer empresa que queira evitar ficar obsoleta e ser engolida pelo mercado.

Mas como inovar se, por exemplo, sua companhia possui limitações relacionadas à infraestrutura, recursos e mão-de-obra? Através do estabelecimento de parcerias estratégicas!

Exatamente pelo fato de toda empresa ter problemas e restrições, as parcerias estratégicas se apresentam como uma excelente alternativa pela sua capacidade de reunir e combinar competências-chave de diferentes empreendimentos.

E as formas e possibilidades de relacionamento são diversas, sendo que cada uma possui suas próprias peculiaridades. Antes de sair por aí buscando parceiros para o seu negócio, é importante entender quais são os diferentes tipos de parcerias estratégicas, para então definir o modelo que melhor se adequa a sua realidade.

Ressalta-se que parceria é um termo amplo, ou seja, pode possuir diversos arranjos. Destaca-se que elas podem acontecer, dentre outras formas, entre empresas e universidades/centros de pesquisa e entre duas ou mais empresas. Elas ainda podem ser classificadas quanto aos seus objetivos, grau de envolvimento entre as partes e execução do P&D.

Quer saber mais sobre o assunto? Continue aqui!

Parcerias com Universidades e Centros de Pesquisa

As parcerias entre empresas e universidades são importantes por combinarem o conhecimento gerado na academia com as demandas que o mercado apresenta.

Enquanto as empresas são beneficiadas por terem acesso às tecnologias desenvolvidas nas universidades (conseguindo assim inovar e incorporar novas soluções em seu portfólio), essas por sua vez ganham a possibilidade de licenciar suas tecnologias, recebendo retornos financeiros. Além disso, as partes também podem desenvolver pesquisas em conjunto, combinando suas respectivas competências.

As possibilidades de interação entre as partes, contudo, não se limitam às atividades ligadas a P&D, como as citadas acima. A prestação de serviços especializados, patrocínios de eventos e workshops, utilização de infraestrutura e cursos e treinamentos, são apenas algumas outras possibilidades de relacionamento entre esses atores.

Destaca-se também que o contrato a ser firmado entre as partes pode possuir diferentes faces, a depender do contexto das entidades e de seus respectivos objetivos:

  • Contratos bilaterais: São aqueles contratos em que as duas partes assumem obrigações com relação ao outro, como no caso de atividades ligadas a P&D, que explicamos acima.
  • Contratos unilaterais: São aqueles contratos em que somente uma parte assume obrigações, como por exemplo em acordos para capacitações, bolsas de iniciação científica e bolsas de mestrado e doutorado para empresas.
  • Contratos de participação acionária minoritária: São aqueles contratos em que uma das partes adquire participação nas ações da empresa original, como por exemplo a participação da universidade nos lucros de uma startup gerada a partir de uma tecnologia desenvolvida dentro do campus

Parcerias Corporativas

São parcerias realizadas entre empresas, e entre suas principais metas estão o aumento da qualidade de processos e produtos, ganhos de produtividade, desenvolvimento de tecnologias e ganhos financeiros.

Ainda é comum encontrar por aí aqueles que enxergam todas as outras empresas como concorrentes. Apesar da concorrência realmente existir e de sua compreensão ser fundamental para se diferenciar no mercado, são comuns as situações em que players, ainda que pertençam ao mesmo segmento, criam parcerias com o intuito de combinar suas principais competências.

São várias as oportunidades de colaboração entre empresas e a análise conjunta de empresas de pequeno porte e de médio e grande porte é um ótimo exemplo.

Se por um lado as micro e pequenas empresas enfrentam problemas regulatórios, de financiamento e entendimento do mercado, as empresas maiores convivem com processos internos mais rígidos e onerosos, que dificultam o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores.

Além disso, enquanto as empresas de pequeno porte possuem agilidade em seus processos internos e o domínio de plataformas tecnológicas, as de grande porte têm acesso a recursos financeiros, altas taxas de penetração no mercado e conhecimento sobre os processos regulatórios.

Em resumo, como elas possuem qualidades e dificuldades distintas, ambas podem se beneficiar de uma eventual parceria.

Destaca-se que dentro das parcerias corporativas existem diversas outras classificações, como Joint Ventures, Corporate Ventures, Fusões e Aquisições, dentre outros.

Corporate Ventures

Corporate Venture é a expressão utilizada para caracterizar o investimento feito por grandes empresas em startups e/ou ideias nascentes, que sejam promissoras e tenham grande potencial de gerar novos negócios.

Através do trabalho com startups, as empresas conseguem ter maior agilidade no lançamento de produtos no mercado, além de acesso a novas tecnologias e soluções, a um custo e risco reduzidos. Além disso, as corporações se veem beneficiadas com a possibilidade das startups trazerem ideologias novas para dentro delas, colaborando no rejuvenescimento de sua cultura interna.

Por outro lado, o poder de mercado, a experiência e a economia de escala das grandes empresas é uma ótima oportunidade para as startups entrarem de vez no mercado e se consolidarem. O trabalho com grandes empresas possibilita também que elas testem seus produtos no mercado por meio de uma marca já consolidada.

Clique aqui e veja como gerar inovação utilizando o Corporate Venture!

Joint Ventures

Joint Ventures são parcerias feitas entre duas ou mais empresas no desenvolvimento de um novo negócio, podendo ele pertencer ao seu mercado e área de atuação ou não.

Através delas, as corporações podem realizar transações entre si sem que haja a necessidade de licenciamentos ou aquisições, uma vez que nem sempre as empresas têm esse interesse. Nesse caso, elas só querem se beneficiar do know-how de seu parceiro, somando seus pontos fortes e conseguindo superar obstáculos em conjunto.

Em outras palavras, a Joint Venture permite o aprendizado mútuo entre as empresas e o atingimento de seus objetivos de forma mais eficiente e rápida, aumentando sua competitividade no mundo dos negócios.

Destaca-se que existem dois tipos de Joint Ventures: contratual e societária. Enquanto a Joint Venture contratual (non corporate) se configura quando não há formação de nova empresa, a Joint Venture societária envolve a criação de novas empresas, normalmente spinoffs.

Fusões, Aquisições e Incorporações

Fusões são operações econômicas em que duas ou mais empresas resolvem se juntar, dando origem a único empreendimento, com um novo nome.

Aquisições são operações em que uma empresa adquire a outra através da compra de suas ações.

Incorporações são um tipo especial de aquisição, em que a empresa a ser adquirida não solicita a oferta da empresa compradora. São aqueles casos em que um grande player do mercado adquire seu concorrente para obter maior poder de mercado, por exemplo.

Geralmente as fusões são processos amigáveis entre as partes, que se veem mutuamente beneficiadas. Por outro lado, as aquisições podem não ser tão amigáveis, como no caso de uma grande empresa que adquire outra para tomar o seu espaço de mercado.

Mas essa não é a única razão por trás da decisão de uma empresa em adquirir outra. As empresas também buscam por meio desse processo: superar barreiras de entrada, reduzir os custos e riscos no desenvolvimento de novos produtos, alcançar uma comercialização mais rápida, diversificar seu portfólio, etc. Em outras palavras, atingir os benefícios que uma parceria estratégica é capaz de gerar.

É necessário, contudo, que certos cuidados sejam tomados no momento de avaliar se determinado alvo deve ser adquirido ou não. Entre os principais problemas observados em empresas que fracassaram ao realizar aquisições destacam-se: diversificação excessiva de portfólio, ausência de sinergia entre as partes, altas dívidas, dificuldades de integração, avaliação inadequada do alvo, dentre outros.

Classificação quanto aos objetivos e grau de envolvimento

Conforme já dissemos, parceria é um termo amplo que engloba diferentes arranjos. A classificação de alguns desses arranjos quanto aos objetivos de cada um e o grau de envolvimento entre eles ajuda a compreender melhor os diferentes níveis de parcerias estratégicas existentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Classificação quanto à execução do P&D

O P&D de uma empresa pode ser realizado tanto de maneira interna quanto de maneira externa, através do relacionamento com outras empresas e universidades, via parcerias estratégicas. Em cada caso, são observados diferentes custos para a empresa, bem como diferentes prazos para resultados e definições de quem é o detentor da Propriedade Intelectual.

Assim como no tópico acima, a classificação a seguir ajuda a entender melhor as peculiaridades de cada tipo de parceria, quando estas estão focadas na execução do P&D.

 

 

 

 

 

Conclusão

Esperamos que tenha entendido quais são os tipos de parcerias estratégicas e qual a importância de cada uma.  A utilização desta estratégia pode ajudá-lo fortemente a se destacar no mercado, trazendo-lhe mais inovações e colaborando no aumento de seu market-share.

Não faltam exemplos de empresas que cresceram a partir de fusões, como foi o caso do Itaú e Unibanco. O mesmo pode-se dizer de aquisições, em especial no setor de bionegócios, que demanda uma grande infraestrutura das empresas no desenvolvimento de novos produtos, e convive com altos prazos no lançamento de novos medicamentos. Como exemplo recente podemos citar a aquisição das mineiras Hertape e Inova Biotecnologia pela francesa Ceva.

O know-how da Biominas Brasil pode ajudá-lo a achar o parceiro estratégico ideal para o seu negócio. Sinta-se à vontade para entrar em contato conosco! Gostamos de ouvir o que nossos leitores têm a dizer!

Rafael Lustosa-01


Rafael Lustosa | Consultoria

Engenheiro de Produção pela UFMG e apaixonado por inovação.  Gosta de pessoas com a mente aberta e dispostas a uma boa conversa!
consultoria@biominas.org.br