Associada à Anprotec, a Biominas Brasil, um dos membros e participantes do ELAN Network Brasil 2017, por meio de seu CEO, Eduardo Emrich Soares, participou da sessão “Desafios brasileiros no setor de Biotecnologia”. O evento aconteceu na cede da FIESP, em São Paulo, no início de outubro, em dois dias que somaram mais de 200 pessoas.

Durante o evento, a Anprotec entrevistou Arthur Nigri, coordenador da área de relacionamento da Biominas, que falou sobre a importância da Rede ELAN para o desenvolvimento econômico, sobre o papel do empreendedorismo inovador para a geração de novas oportunidades de negócios no setor de ciências da vida e sobre suas expectativas para os próximos 20 anos, entre outros temas.

Confira a entrevista completa abaixo:

Quais são as principais áreas de atuação da Biominas Brasil e de que forma vocês ajudam a fomentar a inovação e o desenvolvimento em nosso país? 

A Biominas Brasil é uma instituição privada com atuação nacional e internacional, tendo como core business o empreendedorismo e a inovação em ciências da vida. Por meio de nosso portfólio de programas, oferecemos suporte customizado para as demandas de cada projeto ou empresa, da ideação à expansão, colaborando de forma ativa na sua transformação em um negócio de sucesso.

Utilizando metodologias próprias e uma expertise de 27 anos em promoção de negócios no setor de ciências da vida, a Biominas trabalha junto a cientistas, empreendedores e empresários desde a modelagem do negócio, a montagem da equipe/infraestrutura, a captação de investidores, a condução de estratégias comerciais e até mesmo a internacionalização.

A Biominas oferece ainda soluções especializadas de consultoria técnica e de negócios, aliando experiência, conhecimento e extensa rede de contatos nos variados segmentos do setor de ciências da vida. Por fim, mas não menos importante, promovemos diversos eventos (com destaque para a BIO Latin America) com o intuito de gerar oportunidades de networking e negócios entre os players do setor, não só do Brasil como também do exterior.

O ELAN Network Brasil 2017 tem como tema “Saúde e biotecnologia gerando novas oportunidades de negócios no Brasil”. Como o senhor vê a importância do programa para o desenvolvimento econômico e geração de oportunidades no Brasil? 

Os setores de biotecnologia e saúde são áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico do Brasil baseado em conhecimento e inovação. Já a Europa reúne um grande número de empresas dedicadas à Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação nas indústrias biofarmacêutica, agrícola e alimentar, bem como nas áreas de biocombustíveis, produtos químicos, etc. Portanto, o evento ELAN Network Brasil 2017 ao promover a geração de oportunidades de negócios baseados em tecnologia entre empresas brasileiras e europeias, exerce um papel fundamental nesse momento em que o Brasil busca maneiras para superar uma série de desafios nos setores de biotecnologia e saúde.

O programa do evento trará atividades de grande relevância para o desenvolvimento econômico e geração de oportunidades no Brasil. Podemos dar destaque à palestra “Desafios brasileiros no setor de biotecnologia”, em que o CEO da Biominas Brasil, Eduardo Emrich, apresentará um panorama do setor de biotecnologia no Brasil quanto a estratégias, planos de ação, políticas de incentivo à P,D&I, etc. A sessão deve abordar ainda a importância das startups e suas alternativas para captação de recursos no contexto de potenciais parcerias entre União Europeia e Brasil.

Outra iniciativa de grande valor para os participantes será o “Workshop de Co-Criação entre empresas brasileiras e europeias das áreas de Biotecnologia e Saúde”, atividade dinâmica que será conduzida pela Biominas com aplicação da metodologia de Design Thinking, na qual serão organizadas mesas redondas para identificação de novas oportunidades de negócios baseadas nas capacidades e tecnologias das empresas brasileiras e europeias.

Na sua visão, qual é a importância do empreendedorismo inovador e de que forma ele ajuda a gerar oportunidades de negócios no setor de ciências da vida?

Nos últimos anos estamos observando uma nova tendência na promoção do desenvolvimento do setor de ciências da vida no Brasil, que está pautado justamente o empreendedorismo inovador. Em outras palavras, estamos falando do surgimento de mecanismos que incentivam a criação de um conjunto significativo de empresas nascentes, startups advindas de tecnologias e oportunidades de mercado. E, com isso, vem sendo criado um cenário que possibilita que pesquisadores e empreendedores recebam o suporte necessário para transformar suas ideias e projetos em produtos e serviços, de preferência de qualidade global.

Em contato com diversas instituições e empresas, já percebemos que muitas têm claro conhecimento deste caminho que mescla transferência de tecnologia e empreendedorismo para inovarem. Algumas com estruturas dedicadas à inovação, programas de inovação aberta em andamento, projetos de challenges e mesmo planos de estruturação de corporate venture.

O panorama descrito acima está completamente alinhado com a visão estratégica e recente orientação da Biominas. Ao deixarmos clara nossa atuação em empreendedorismo em ciências da vida, que vem sendo nosso diferencial ao longo dos 27 anos, nos posicionamos novamente como inovadores deste processo. Inovadores no sentido de desenharmos programas como o BioStartup Lab, que usa um conjunto de ferramentas para favorecer o surgimento de startups estruturadas a partir de ideias e projetos acadêmicos, além da nossa aceleradora GroWbio, e dos nossos projetos de educação empreendedora (Biomaker Battle).

Especificamente no caso do BioStartup Lab, por meio de atividades como workshops, treinamentos, mentorias, validações práticas e bancas de avaliação, num período de 10 semanas, o programa capacita empreendedores e cientistas a estruturarem seus projetos de pesquisa com a visão de mercado necessária para fomentar a interação com empresas e investidores. Essa dinâmica proporciona um ambiente seguro para a realização de testes e validações das soluções, com o objetivo de iniciar ou avançar as estratégias de inovação e o desenvolvimento de novos produtos e/ou serviços alinhados ao mercado.

Em suas quatro rodadas anteriores, o BioStartup Lab já alcançou resultados relevantes, como 1.500+ pessoas inscritas, em 400+ projetos, de 220 instituições de ensino e pesquisa vindos de 21 estados brasileiros e 10 países. Além disso, o programa recebeu o Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador de 2016, na categoria “Melhor Projeto de Promoção da Cultura do Empreendedorismo Inovador”, concedido anualmente pela Anprotec e Sebrae Nacional.

O mais fascinante é que temos visto, ao longo do programa BioStartup Lab e dos trabalhos de prospecção de tecnologias inovadoras com grandes empresas, pessoas altamente qualificadas e estimuladas com ideias, pesquisas e resultados preliminares que apontam para negócios com muito potencial. O próximo passo no apoio a esses projetos é criar mecanismos que supram as demandas por recursos financeiros, recursos humanos, know-how tecnológico e inserção no mercado, e que possibilitem o desenvolvimento dos seus produtos inovadores.

Quais são os principais desafios que enfrentamos para desenvolver os setores de biotecnologia e saúde em nosso país? 

Os desafios que enfrentamos para desenvolver os setores de biotecnologia e saúde em nosso país são muitos: falta de mão de obra especializada, especialmente nas etapas de escalonamento, produção e gestão; regulação lenta e complexa para estudos clínicos; lentidão na análise de pedidos de patentes; falta de coordenação entre os diversos agentes do governo, etc.

Dentre estes e outros entraves, cabe dar destaque aos gargalos para transferência de tecnologia para a indústria, dificuldades para realização de P&D em saúde na universidade, e perspectivas para o cenário de investimentos em Pesquisa em saúde Brasileiro. O contato entre NITs e pesquisadores ainda precisa ser melhorado, sendo necessário um alinhamento entre a pesquisa desenvolvida na academia e as demandas da indústria para que processos de interação possam ser melhor estabelecidos.

Podemos apontar ainda a dificuldade que se tem em acessar as linhas de fomento para a inovação, ainda que estas sejam várias. Existem casos em que a inovação não se enquadra exatamente no escopo das linhas de fomento; como também situações em que o pesquisador não submete sua pesquisa por desconhecer a chamada ou pela pesquisa não estar no estágio requerido; ou ainda, pelo fato do programa não financiar determinada rubrica necessária ao desenvolvimento do projeto. Esses são apenas exemplos de diversas situações em que recursos que estão disponíveis para fomentar a inovação acabam por ficar à deriva.

Apesar destes desafios, cabe chamar a atenção para os avanços alcançados nos últimos anos no tema de inovação no país, como o crescente interesse de investidores e grandes empresas por projetos e empresas inovadoras vindos da academia e o movimento de constituição e aceleração de startups nas áreas científicas e tecnológicas.

Como o senhor vê as atuais políticas de incentivo nas áreas ligadas à biotecnologia e às ciências da vida? Quais as suas expectativas para os próximos 20 anos? 

Num momento em que o Brasil convive com o crescimento do endividamento público, o investimento do Estado em inovação tem que fazer parte da solução fiscal para o país. É preciso reconhecer o papel ativo do Estado na promoção da pesquisa e desenvolvimento e que, em meio à necessidade de ajustar as contas da União, o investimento em P&D deve fazer parte da estratégia para reequilibrar a questão fiscal do país.

A dúvida que permanece é se a continuidade da crise econômica e política afetará o crescimento das práticas inovadoras das empresas brasileiras. Previsões informais sugerem que os investimentos do Brasil em P&D, que beiravam 1,2% do PIB devem cair para 1% neste ano. Um dos efeitos da crise é o contingenciamento de recursos. O orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) foi reduzido em 44%. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) encolheram 40% em 2016, comparado ao recorde de R$ 6,02 bilhões em 2015. Dados extraídos do anuário Valor Inovação Brasil.

O encolhimento do investimento público é grave pois pode significar perda de competitividade no cenário nacional e global. Diante desse cenário, percebe-se que a maneira de inovar ganha novos contornos. Nas últimas décadas, foram observados esforços e incentivos governamentais direcionados para a formação de grandes empresas de biotecnologia no Brasil com o objetivo de replicar e incorporar tecnologias que já existiam em outros países. Hoje, o Brasil se aproxima de uma segunda onda, em que a transformação do setor por meio do surgimento de startups a partir de novas tecnologias e oportunidades de mercado é uma realidade.

Portanto, mesmo em meio às grandes dificuldades do presente, nossas expectativas para os próximos 20 anos são positivas, especialmente quando fazemos contato com diversas instituições e empresas, e percebemos que muitas têm claro conhecimento de que a inovação é componente chave para sairmos da atual recessão.

Acesse aqui o site da Anprotec e confira a entrevista e outros conteúdos do setor.