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Quando a ciência encontra a biodiversidade: uma solução natural para a dermatite atópica

Conheça o projeto premiado na InovafitoBrasil que está transformando uma planta nativa em uma alternativa inovadora aos corticoides

 

Transformar pesquisas em soluções reais para problemas complexos de saúde é um dos grandes desafios da inovação em bio. O projeto premiado pela InovafitoBrasil, liderado por Nícolas de Castro, desenvolve uma tecnologia natural e inovadora para o tratamento da dermatite atópica — uma condição crônica que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

A partir de um ativo extraído de uma planta nativa brasileira, o projeto une ciência de ponta, valorização da biodiversidade e um olhar atento às necessidades dos pacientes. Nícolas compartilhou conosco os objetivos da pesquisa, os diferenciais da tecnologia, os desafios enfrentados na jornada empreendedora e os próximos passos rumo ao mercado.

Confira a entrevista completa abaixo e conheça mais sobre esse caso inspirador!

Biominas: Qual é o objetivo principal do seu projeto e quais problemas ele busca resolver?

Nícolas: O projeto envolve o desenvolvimento de uma solução natural, eficaz, segura, escalonável e sustentável para o alívio dos sintomas da dermatite atópica. A atopia é uma doença crônica, de bases genéticas, de causas ainda pouco compreendidas e que não tem cura. Os sintomas incluem a inflamação da pele com lesões ruborizadas, ressecamento, dores, feridas e coceiras que causam insônia. 

Esse transtorno acomete 7% da população brasileira, e 30% dos pacientes desenvolvem sintomas severos. Essa condição tem crescido bastante nos últimos anos devido ao aumento do estresse emocional e da poluição, que são gatilhos reconhecidos para a manifestação dos sintomas. Existem algumas terapias no mercado destinadas à doença, que é tratada principalmente com corticoides, que abocanham 60% desse mercado. 

No entanto, essas drogas só podem ser utilizadas numa crise forte da doença, e não para o controle diário, devido aos efeitos adversos. Outros medicamentos nem sempre são eficazes, também causam efeitos colaterais e podem ser muito caros. Os pacientes, normalmente, utilizam hidratantes no dia-a-dia para ajudar, mas como não possuem ação mais profunda, só conseguem aliviar o ressecamento da pele, não combatendo os demais sinais clínicos. 

Quando validamos o problema, constatamos que os usuários desejam produtos naturais para o alívio dos sintomas da atopia, e estão constantemente à procura de alternativas aos corticoides, considerados produtos com “muita química”, e aos hidratantes disponíveis, devido sua baixa eficácia. Destaca-se que 75% dos potenciais usuários relataram que nossa tecnologia pode reduzir o número de produtos que utilizam no tratamento. Mais de 80% reforçou que o fato de ser natural influencia na escolha pelo seu uso, e mais de 90% acreditam que a tecnologia pode melhorar sua qualidade de vida. Portanto, acreditamos que podemos ajudar a preencher essa lacuna de mercado.

Biominas: Quais inovações ou diferenciais sua tecnologia oferece ao mercado?

Nícolas: A tecnologia desenvolvida pela nossa equipe possui potente ação anti-inflamatória na pele, comparável a dos corticoides, porém sem ocasionar seus efeitos adversos. Indicada para uso contínuo, é também cicatrizante, antioxidante e hidratante, combatendo todos os sinais clínicos da doença e auxiliando na manutenção da integridade e do aspecto normal da pele a partir de um ativo natural, extraído de uma planta nativa do Brasil, valorizando a biodiversidade do país e atendendo às demandas do usuário por alternativas naturais.

Biominas: Em que estágio de desenvolvimento o projeto está atualmente (ideação, protótipo, validação, marketing)?

Nícolas: Durante as conexões realizadas com o setor produtivo, constatamos que seria necessário otimizar o processo extrativo para torná-lo sustentável e escalável. Estamos prototipando em ambiente operacional relevante para a produção por esse processo otimizado, mas para inserção no mercado é preciso atender às exigências regulatórias, que demandam a realização de ensaios de eficácia e segurança em laboratórios credenciados como boas práticas laboratoriais (BPL). 

Estamos buscando investimentos para a realização desses novos testes. Temos mantido contato com potenciais parceiros estratégicos que demonstraram interesse, e estamos muito animados com a possibilidade.

Biominas: Como surgiu a ideia para o projeto? 

Nícolas: O projeto teve início ainda em 2010, quando eu realizava o meu mestrado, sob orientação da professora Elita Scio. À época, a espécie vegetal estudada era pouco conhecida quanto ao seu potencial terapêutico e constituintes químicos, o que encorajou os estudos iniciais. Em meu doutorado, entre 2013-2017, identificamos um ativo muito promissor, o que nos estimulou a criar uma formulação farmacêutica de uso tópico e patenteá-la. 

No final de 2020 tomei posse como professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e retornei para o laboratório onde passei minha pós-graduação. Foi quando nós resgatamos a pesquisa, mobilizamos alunos de pós-graduação, procuramos o apoio de entidades de conexão híbrida, como a Biominas Brasil, e compreendemos melhor o potencial da tecnologia após a validação do problema e da solução junto a potenciais usuários e o setor produtivo. 

Finalmente, entendemos como poderíamos otimizar a tecnologia. O reconhecimento da InovafitoBrasil, com o prêmio de tecnologia fito de maior potencial de desenvolvimento socioeconômico, e da Biominas Brasil, com o 1º lugar no programa BioStartup Lab, nos motivou a continuar maturando a tecnologia.

Biominas: Pode compartilhar um pouco sobre o processo de criação e os principais desafios enfrentados até agora?

Nícolas: Os principais desafios são, principalmente, a dificuldade de obter financiamento, seja público ou privado, entender as exigências regulatórias e como atendê-las, e desenvolver habilidades de empreendedorismo. Somos professores e pesquisadores, e possuímos competências que aplicamos na sala de aula, na elaboração de perguntas científicas, na formulação de hipóteses, no delineamento de experimentos, e na redação de projetos e de artigos. 

Contudo, não fomos treinados a empreender, a diferenciar invenção de inovação, a desenvolver produtos para solucionar problemas reais, a nos conectar com o setor produtivo, a entender as demandas do mercado e da indústria. Tudo isso é algo muito novo para nós, e tentar aprender algo novo e sair da nossa zona de conforto é sempre um desafio.

Biominas: O que motivou você a cadastrar seu projeto na plataforma InovafitoBrasil?

Nícolas: A perspectiva de divulgação do trabalho, atraindo a atenção de investidores ou parceiros. Chamamos a atenção da Biominas, e a mentoria do BioStartup Lab foi uma oportunidade incrível de aprendizado e conexões. 

Além disso, a plataforma nos ajudou a entender em que TRL estamos, e dar uma boa ideia do que necessitamos para avançar. Os prêmios mencionados valorizaram a nossa equipe e despertaram o interesse da imprensa, o que deu ainda mais visibilidade ao nosso trabalho e à nossa tecnologia.

Biominas: Quais são os próximos passos do projeto e como a plataforma InovafitoBrasil pode continuar apoiando você nessa jornada?

Nícolas: O próximo passo do projeto é a realização de ensaios em BPL, levando em consideração que o produto pode ser considerado como fitocosmético ou dermocosmético, o que reduz as barreiras regulatórias para a sua chegada ao mercado. A plataforma poderá continuar nos apoiando com a divulgação de nossa pesquisa e o auxílio que nos fornece com detalhes de TRL para fitoterápicos. 

No Laboratório de Produtos Naturais Bioativos (LPNB/UFJF) temos outras pesquisas com ativos na biodiversidade brasileira, algumas já cadastradas na plataforma, as quais podem ter a sua própria jornada rumo ao mercado e ganhar visibilidade por meio da plataforma.

Plataforma InovafitoBrasil 

O projeto do Nícolas é um exemplo concreto do impacto positivo que a plataforma InovafitoBrasil pode gerar ao identificar o estágio de maturidade tecnológica (TRL) e oferecer visibilidade. A plataforma contribuiu diretamente para acelerar essa inovação bio rumo ao mercado.

Quer conhecer outras soluções como essa? Acesse a plataforma InovafitoBrasil e descubra outros projetos promissores que valorizam a biodiversidade e a ciência brasileira: www.inovafitobrasil.com.br

Faz parte de uma startup ou pesquisa em fitoterápicos? Cadastre seu projeto na InovafitoBrasil, conheça sua jornada de TRL e receba o apoio necessário para amadurecer e escalar sua solução.

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