“Vamos colocar as empresas dentro das universidades, romper a fobia de interação entre esses dois mundos e criar centros de inovação mais fortes na academia. Vamos convidar as empresas a ocupar espaços dentro dos campus”. A provocação foi feita pelo assessor da Diretoria Científica no CNPq, Marlon José de Lima, durante mesa-redonda sobre os mecanismos de fomento a inovação, na IV Cúpula Brasileira de Inovação em Saúde, realizada nos dias 23 e 24 de setembro, em São Paulo (SP).
O debate também contou com a participação de Isabela Allende, gerente de Operações e Parcerias da Biominas, e Leandro Pedron, diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI. A ideia defendida pelo representante do CNPq encontrou apoio na fala de Leandro Pedron, que elegeu como um dos grandes desafios do fomento à inovação a aproximação de empresas e ciência. “Tem uma questão cultural muito grande ainda, mas temos de insistir cada vez mais nessa aproximação porque quando a gente olha para outros países, você tem bons resultados”, afirmou.
Isabela lembrou que todos os grandes hubs de inovação – americanos, chineses e europeus – estão ancorados em uma universidade de excelência, mas destacou, como ressalva, a importância de não colocar tudo na conta da academia. “É preciso definir o papel de cada um, da universidade, da startup que vai nascer dentro dessa instituição, da indústria em relação a esse ecossistema e dos prestadores de serviço, porque não se pode jogar toda a pressão na universidade e tornar o modelo insustentável”, avaliou.
Marlon José de Lima ainda destacou a importância das bolsas do CNPq como instrumento para manter os pesquisadores em atividade, embora reconheça a necessidade de torná-las mais atrativas. “Hoje, nosso desafio é fazer com que as bolsas se tornem sustentáveis, pois os valores estão defasados, e revisar a exclusividade. As agências de fomento precisam adaptar os instrumentos para a necessidade dos cidadãos brasileiros.”



