Não existe inovação sem pesquisa clínica. Ela é o padrão ouro para que novas tecnologias cheguem à população de forma segura e com qualidade, por isso o país precisa, cada vez mais, mirar a área com olhar estratégico e investir em políticas públicas que fortaleçam os centros de estudos clínicos.
Esse foi o consenso da mesa-redonda que contou com a participação de Meiruze Sousa Freitas, diretora de Ciência e Tecnologia no Decit do Ministério da Saúde; Adriane Alves de Oliveira, coordenadora substituta da Atualmente, da Coordenação de Pesquisa Clínica de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa; e Thiago Mares Guia, vice-presidente executivo na Bionovis, na IV Cúpula Brasileira de Inovação em Saúde.
Meiruze Freitas destacou que o aprendizado obtido com a pandemia de Covid-19 se reflete hoje em suas ações no Ministério da Saúde, especialmente no sentido de levar o Brasil à posição de polo estratégico e fortalecer a inovação, tendo a pesquisa clínica como um dos principais focos.
“Ela é o acesso da população às mais modernas tecnologias. Por vezes, a pesquisa clínica é a virada para que o paciente consiga a cura, ou pelo menos a melhoria da qualidade de vida. É o ponto de partida para o desenvolvimento de novas tecnologias, e também uma oportunidade de traduzir o conhecimento gerado em estudos e melhorar todo o ecossistema assistencial”, afirmou Meiruze.
A diretora de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde enfatizou a importância da atualização do Plano de Ação de Pesquisa Clínica para oferecer sempre uma ética moderna, ágil e inclusiva aos pacientes. Também ressaltou o objetivo de ampliar a produção nacional, o desenvolvimento de novas tecnologias e a redução da dependência tecnológica, fortalecendo o complexo industrial do país sem perder de vista a sustentabilidade do sistema público de saúde.
Para Adriane Alves de Oliveira, o desafio da pandemia deixou um legado positivo. “Nós crescemos muito, principalmente no campo de aconselhamento regulatório, porque tivemos de aprender a ter uma resposta rápida, mudamos fluxos para atender às necessidade do país, especialmente em estudos de autorização para vacinas, e isso ficou como lição.”
Ela enfatizou que a Anvisa vem trabalhando não só para aprovar pesquisas, mas para melhorar o ambiente da atividade no país, o que inclui obter melhores taxas de recrutamento, de retenção, aprimorar práticas clínicas, e fortalecer os centros de desenvolvimento. “Não adianta uma lei moderna se ainda temos centros com muita deficiência. Estamos atentos às inspeções para garantir a conformidade das boas práticas”, afirmou.
Thiago Mares Guia trouxe ao debate a importância de aproveitarmos os ensinamentos deixados pela pandemia para o incentivo à fabricação de medicamentos essenciais. “A Bionovis conseguiu dominar o conhecimento de produção de IFA, recebemos a certificação para produzir o princípio ativo sem nenhum apontamento. É fundamental que o Brasil tenha uma política de soberania tecnológica, científica, industrial e de acesso. A covid-19 nos mostrou que a dependência externa pode ser bastante complexa para um país da nossa dimensão”, afirmou.
Confira a entrevista de Thiago Mares Guia sobre o setor Bio na revista Biominas Brasil!



