Já está claro que a principal tendência atual da indústria farmacêutica para o tratamento de doenças mais graves, em áreas como imunologia e oncologia, entre outras, é o desenvolvimento de medicamentos biotecnológicos. Esses produtos estão sendo cada vez mais pesquisados e utilizados porque são mais eficazes, mais seguros e têm menos efeitos colaterais.
Grandes laboratórios internacionais e nacionais estão se especializando em biológicos e até deixando de atuar em classes terapêuticas tradicionais para concentrar esforços na biotecnologia, área que exige especialização e altos investimentos.
O Brasil já é um mercado consumidor relevante. O principal cliente dos biológicos é o governo federal e o SUS, o maior comprador. Vários biológicos foram incorporados à lista de medicamentos de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
A participação de biológicos no portfólio de novas moléculas é crescente. Neste ano de 2025 a fatia de biológicos no mercado brasileiro, em quantidade de moléculas, é de 43%, ante 33% em 2020. Em valor, essa fatia equivale hoje a R$ 34,7 bilhões, ante R$ 10,6 bilhões cinco anos atrás, segundo estimativa da consultoria IQVIA.
E até 2029, o fim da exclusividade patentária vai liberar R$ 32 bilhões em vendas, sendo que 65% deste valor é relativo a medicamentos biológicos. É este quadro que explica a corrida pelo registro de biossimilares na Anvisa. Hoje, de acordo com a IQVIA, a quantidade de registros ativos de medicamentos biossimilares na Anvisa é de 91 produtos – eram 49 em 2020; 68 em 2023; e 74 no ano passado.
Como se vê, o mercado de biológicos existe e é promissor. A grande questão é criar condições para transformar o Brasil em polo gerador de biotecnologia. EUA e Europa são os grandes centros de conhecimento nesse campo. Índia, China e Coreia do Sul também atuam fortemente nesta área. Cabe ao Brasil, seguir o mesmo caminho.
Os desafios tecnológicos e financeiros são enormes. Laboratórios internacionais investem alguns bilhões de dólares por ano em P&D de biológicos. Uma única empresa global investe em P&D de biológicos duas ou três vezes o que o Brasil gasta em importações desses produtos.
Ao mesmo tempo, não se pode imaginar que os biológicos e biossimilares desenvolvidos por empresas instaladas no Brasil vão gerar a mesma economia de recursos proporcionada pelos genéricos. Vão trazer, isto sim, mais conhecimento e concorrência.
De fato, o país deu início a esse longo processo. Saímos da inércia de ser meros importadores e começamos a internalizar conhecimentos e absorver tecnologias. O passo seguinte será formular ideias e produtos originais, com a necessária interação entre empresas, institutos de pesquisa e órgão de fomento, para gerar e exportar inovação.
Quando isto acontecer, teremos instaurado um ciclo virtuoso, pelo qual o mundo começará a nos pagar pelo desenvolvimento e produção de medicamentos de última geração e alto valor agregado, o que colocará o polo farmacêutico de ponta que já existe no Brasil em outro patamar. E abrirá enormes oportunidades.



