Por Janaína Oliveira, Hoje em Dia

Especialização
Angélica Salles, diretora da Habitat:
Maturação mais lenta das empresas da área biomédica

O Brasil é o terceiro país do mundo em número de incubadoras de empresas (centros que abrigam novos negócios tecnológicos ou inovadores), só atrás dos Estados Unidos e Coreia do Sul. Estudo da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec) mostra que, no país, são 384 incubadoras – 64% a mais do que as 234 existentes há uma década.

Juntas, elas abrigam 2.640 empresas, geram quase 16.400 empregos e somam um faturamento anual de R$ 533 milhões. Outros 2.509 empreendimentos que foram graduados — se tornaram negócios independentes — faturam R$ 4,1 bilhões e mantêm 30 mil postos de trabalho.

Das 384 incubadoras brasileiras, 8%estão em Minas Gerais, participação similar ao peso do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado na economia nacional. Segundo a Rede Mineira de Inovação (RMI), são 24 as incubadoras mineiras associadas,com180 empresas incubadas.

Na soma dos últimos três anos, o faturamento dessas empresas chegou a R$ 200 milhões e o pagamento de impostos, a R$5 milhões. No conjunto, elas geram 3 mil empregos e, a cada ano, 25 delas, em média, passam à graduação.

“Apesar de representarmos menos de 10% do sistema nacional, estamos bem. As empresas mineiras são as que mais têm conquistado prêmios nacionais. Mas, para um Estado que se propõe a ser o primeiro em ‘economia do conhecimento’, ainda somos pequenos”, admite o presidente da RMI, Renato de Aquino Faria Nunes.

Multiplicação

Segundo ele, que é ex-reitor e professor titular da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), a meta é ampliar de cinco a dez vezes o número de incubadoras e o número de empresas incubadas nos próximos dez anos. Potencial para isso, o professor Renato Nunes garante que existe.

“O Estado possui o maior número de universidades públicas. Temos que tirar a pesquisa da prateleira e levar para o mercado, para a sociedade”, diz.

O primeiro passo, segundo Nunes, é a conscientização dos pesquisadores, professores e alunos para produzir aquilo que gere bem estar social. Também é necessário financiamento e políticas públicas para promover o nascimento e consolidação da empresa. Hoje, entre os principais financiadores, estão a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e o Sebrae.

Outro ponto fundamental é a criação e solidificação de parques tecnológicos, com ambiente favorável para acolher empresas que deixam as incubadoras. Em Minas, são três parques, em Belo Horizonte, Itajubá e Viçosa. Porém, falta musculatura a todos eles.

 

 

Experiências no Estado comprovam a viabilidade

A incubadora de empresas Habitat, gerida pela Biominas Brasil e voltada para a área biomédica, é exemplo do potencial dos novos negócios. Hoje, são 16 empresas incubadas, cujo faturamento, em 2012, foi de R$ 10,5 milhões. Todas elas, especializadas na área de Ciências da Vida, estão instaladas em um prédio de 3 mil metros quadrados de área construída.

“Temos uma concentração de empresas na área de diagnóstico in vitro. Também atuamos no setor de suplementos alimentares para alérgicos à proteína do leite de vaca. Outro exemplo é uma empresa que produz colágeno, que serve para curativo e controle de hemorragia”, diz a diretora Angélica Salles.

Pela natureza biomédica do negócio, o tempo de permanência dessas empresas na incubadora costuma ser de oito anos. “Tratando-se de TI, por exemplo, o tempo cai para dois anos, em média”, diz. O investimento inicial também é alto: entre R$200 mil e R$600 mil.

Muito barulho

Para o diretor da Inova, a incubadora da UFMG, Hani Camile Yehia, apesar de todo o barulho, o desempenho das incubadoras brasileiras ainda está muito aquém do que acontece no exterior. “Lá nos Estados Unidos, o investidor coloca dinheiro na empresa, ajuda a tocar o negócio e ainda acha cliente para comprar o produto. Aqui, o pesquisador tem que cuidar de tudo. Bate o escanteio e corre para fazer o gol”, critica.

“É preciso mudar a mentalidade. Quem é brilhante na criação, muitas vezes é medíocre na administração”, afirma.

Na Inova, estão, hoje, sete empresas incubadas. A meta é triplicar o número até 2014.

Fonte: Hoje em Dia