A edição de genes vêm sendo discutida ao longo dos anos, sobre seus possíveis benefícios para a saúde humana, mas também quais são as limitações éticas dessa prática. Recentemente um pesquisador chinês, usando o modelo CRISPR, foi responsável pelo nascimento dos primeiros bebês com imunidade à HIV, varíola e cólera.

A descoberta da estrutura tridimensional de dupla hélice do DNA em 1953 proporcionou um avanço incrível a respeito do entendimento do funcionamento da vida, manifestação de doenças e características humanas. O conhecimento gerado propulsionou o desenvolvimento do “Projeto genoma humano” que durante a década de 90 movimentou um esforço conjunto na comunidade científica mundial, e que em 2003 culminou no sequenciamento completo do DNA humano.

 

 

Desde então conseguimos entender como algumas características genéticas se manifestam, indo desde os genes que definem o sexo de um indivíduo até doenças genéticas complexas como a síndrome de Down. O uso da engenharia genética é visto como uma fonte de esperança para aqueles que sofrem com males causados por desordens genéticas, uma vez que a alteração do DNA celular pode promover a cura de uma série de doenças. Entretanto, o uso de tais tipos de terapias ainda encontra duas barreiras importantes: o acesso, já que tais processos ainda são muito caros; e a falta de refinamento das tecnologias de edição de genes, que precisam ser mais seguras e eficientes.

Recentemente foi desenvolvida uma nova técnica de edição genética que diminui drasticamente os custos de se editar genes e amplia sua precisão a resultados extraordinários. CRISPR, ou Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas, é uma estratégia utilizada naturalmente por bactérias para reagirem rapidamente à ataques de vírus. Este mecanismo atua realizando cortes no material genético de vírus invasores e incorporando parte dessa informação genética no próprio DNA da bactéria, deixando-a imune a futuras infecções.

O cientista chinês He Jiankui em novembro de 2018 foi responsável pela primeira edição de DNA em fetos humanos, nascendo duas meninas gêmeas no processo. De acordo com o cientista, a edição torna as crianças imunes a HIV, varíola e cólera. Apesar do avanço, He ainda não explicou todos os detalhes sobre sua pesquisa, nem o que ocorreu com os outros casais e embriões que participaram dos testes. Dado a complexidade do assunto, são levantadas questões morais e éticas sobre a pesquisa realizada. Há um receio de que os genes modificados sejam passados para as gerações seguintes, assim, caso algum erro foi feito, impactará várias vidas futuras. A matéria completa, pode ser lida aqui.

Um outro problema que veio recentemente à tona na comunidade científica trata a respeito da capacidade de regeneração das partes cortadas de DNA usando-se a ferramenta CRISPR-Cas9. Como publicado na revista Nature Biotechnology, cada vez que uma célula sofre um corte em seus genes algumas informações são perdidas. No momento em que a parte a ser integrada ao DNA é inserida no código genético, algumas mutações genéticas ocorrem em experimentos in vivo em ratos.

A principal conclusão que se pode tirar é que a ferramenta CRISPR, por mais revolucionária que seja, ainda precisa passar por muitas adaptações. testes e pesquisa. Com isso, um novo ramo da engenharia genética pode ser vislumbrado. A técnica de edição gênica CRISPR-Cas ainda necessita de muito aperfeiçoamento o que, por conseguinte, pode culminar em muitas pesquisas, estudos e o surgimento de novos negócios. Também serão necessárias parcerias entre governos, empresas e universidades além da movimentação de milhões de dólares até que se chegue numa utilização confiável e ampla da tecnologia. Por mais que seja um caminho árduo, avanço acontecerá de forma rápida e culminará em incontáveis oportunidades de negócio.