Não é novidade que o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e, se diferenciar e buscar o aperfeiçoamento constante é mandatório para o crescimento e sucesso de qualquer profissional. De fato, vivemos na era de adquirir conhecimento através das especializações, MBAs, pós-graduações, cursos livres e por aí vai. A educação online revolucionou a forma como consumimos informações. Porém, se por um lado o acesso ao aprendizado foi democratizado, por outro, tem se tornado mais difícil se diferenciar profissionalmente.

Em um passado distante, obter um diploma de graduação era a garantia para um futuro profissional promissor, entretanto, hoje, vivemos a situação em que a mão-de-obra qualificada brasileira (pós-graduados) é formada para o desemprego. O desemprego entre mestres e doutores chega a assustadores 25% no Brasil (Estado de Minas, 2019). Vale ressaltar que não é uma situação exclusiva do país, mas algo mundial. Segundo o Fórum Econômico Mundial, aproximadamente 649 doutores são formados todos os dias no mundo, e a oferta de vagas para professores universitários não cresce na mesma medida. Já em 2010, segundo dados da Royal Society, 99.4% dos doutores não iriam se tornar professores. Essa situação é um pouco melhor nos Estados Unidos, mas ainda com estatísticas alarmantes.

Diante desse cenário, surgem questões contraditórias: se a busca constante pelo conhecimento é um fator decisivo para o sucesso profissional, mestres e doutores, que dedicam uma boa parte de suas vidas aos estudos, não deveriam ter empregos garantidos no mercado? Talvez esse raciocínio seja simplório e a resposta para isso seja extremamente complexa. Mas o fato é que a busca por conhecimento “indiscriminado”, cursos e mais cursos sem uma articulação clara de aplicação na carreira, de uma maneira geral, ditam pouco sobre o sucesso profissional. Se por um lado estamos vivendo a era da especialização constante, por outro, o mercado de trabalho está carente de profissionais com skills específicas demandadas pela nova economia. Isso se aplica a qualquer área e profissional, mas é evidente entre pós-graduandos (pesquisadores) na área de ciências da vida.

Os programas de pós-graduação acadêmicos formam profissionais com excelentes habilidades técnicas em sua área de especialização, mas com pouco conhecimento em outros campos como negócios, mercado, economia. Além dos conhecimentos e habilidades que os pesquisadores já adquirem no decorrer da trajetória, existe muito o que aprender além dos projetos de pesquisas. Que tal aprender um pouco sobre empreendedorismo? Aprender a vender sua “ciência” pode ser uma alternativa para construir uma carreira com propósito e ainda driblar o desemprego. E aprender sobre propriedade intelectual, busca de anterioridade patentária, sobre os aspectos regulatórios do seu projeto, sobre gestão de negócios e inovação? E a lista é extensa.

Aprenda a como ser um empreendedor!

 

Segundo Tim Brown, CEO e presidente da IDEO consultoria de design, o mercado precisa e valoriza um tipo de profissional denominado “T-shaped person”. A linha vertical do T faz alusão a uma área do conhecimento na qual você tem expertise e conhece mais profundamente, enquanto que a linha horizontal do T representa diversas áreas nas quais você possui um conhecimento mais superficial e tem a capacidade de colaborar. Ou seja, o mercado precisa de profissionais experts em um assunto, mas que não tenham somente esse foco, que busquem inspiração e colaboração em múltiplas áreas do conhecimento.

O mais revolucionário na era da educação digital é ter acesso a qualquer curso, de qualquer área, em diferentes partes do mundo. Portanto, é uma oportunidade para adquirir conhecimentos e habilidades além do ambiente acadêmico, alinhadas à sua carreira, que permita se diferenciar no mercado e desenvolver a “perninha” horizontal do seu T.