denguePor Marcela Cota, Analista Técnica da Biominas Brasil

 

Dengue tem sido um grande desafio para o Brasil desde as primeiras epidemias, na década de 80. A forma de controlar da doença tem se baseado no controle da população dos mosquitos vetores, uma vez que não existe vacina, e o tratamento da doença já instalada é apenas paliativo. Apesar dos esforços governamentais em campanhas de combate à doença, os resultados são pouco efetivos. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2013 foram notificados 2 milhões de casos, sendo o maior surto registrado no Brasil.

Tendo em vista este cenário, abordagens inovadoras como o projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” e o desenvolvimento da vacina pela Sanofi são de extrema importância para o controle da doença.

O Projeto integra a iniciativa sem fins lucrativos “Eliminate Dengue: Our Challenge” e conta com a colaboração do pesquisador brasileiro Luciano Moreira da FIOCRUZ. Este projeto consiste na liberação de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão do vírus da dengue. Diversos insetos, como por exemplo o pernilongo, são naturalmente infectados pela Wolbachia, demonstrando uma segurança na técnica, visto que a população em geral já teve contato com insetos infectados por essa bactéria. Com relação à eficácia, além de diminuir a transmissão do vírus, o cruzamento entre mosquitos machos infectados com Wolbachia e fêmeas selvagens não originam larvas. Desta forma, em longo prazo, a tendência é a de que a população do vetor decline consideravelmente. Por último, com relação aos custos do projeto, quando mosquitos macho e fêmea infectados com a bactéria acasalam, originam larvas também infectadas, não sendo necessário, dessa forma, a liberação constante dos mosquitos na natureza.

Por todos esses fatores, esta abordagem é muito promissora, por ser segura, eficaz e com baixo custo.

Com relação à vacina em desenvolvimento contra a dengue, estudos recentes demostraram resultados muito relevantes. De acordo com a Sanofi, em um estudo clínico com 21.000 crianças latino-americanas, a vacina reduziu o risco de infecção em 60,8%. Além disso, foi divulgada a proteção contra os quatro sorotipos, o que é desejável, tendo em vista que muitos países como o Brasil apresentam os quatro tipos circulantes.

Este estudo é o terceiro desenvolvido pela empresa, sendo o último necessário para a avaliação feita pelos órgãos regulatórios. Se submetida e aprovada, essa será a primeira vacina contra a dengue, representando um enorme passo para o controle da doença.

Vemos essas duas iniciativas em andamento como soluções bastante factíveis e potencialmente eficazes no combate e erradicação desse grande problema de saúde pública que é a dengue no Brasil.