PSI

A PSI Imunologia é uma plataforma de soluções imunológicas com o intuito de desenvolver produtos e processos visando substituir ou reduzir o uso do modelo animal em testes de eficácia de produtos, da área médica ou médica veterinária, antes dos mesmos serem lançados no mercado. A startup se originou no mestrado de uma das sócias, Patrícia Parreiras (FIOCRUZ) e é a fusão de pesquisadores da UFMG, FIOCRUZ e FUNED com perfil de forte parceria de trabalho na área da imunologia.

Realizamos uma entrevista com os empreendedores da PSI, confira:

Qual o problema e solução que o seu negócio que a PSI propõe?

Nas empresas produtoras de vacinas, o uso do modelo animal trás inconvenientes pois este modelo não permite quantificar as proteínas na linha de produção de vacinas. Uma vez que esta proteína é recurso muito caro, trás prejuízo importante para o fabricante. Além disso, uma vez que o modelo animal possui variabilidade de resultados, inerentes ao próprio uso do modelo animal, os resultados obtidos pela empresa produtora de vacinas pode não se repetir nos testes oficiais, assim, estes tem prejuízos importantes (nas cifras de milhões de reais por ano).

Quanto ao uso do modelo animal pelo órgão regulador, o mesmo não consegue testar todos os lotes de vacinas que vão para o mercado, fazem testes por amostragem, tendo em vista que o uso do modelo animal torna o processo moroso, lento. Além disso, o preço de manutenção das instalações para os animais inviabiliza aumentar a capacidade de testes do MAPA -Ministério da Agricultura (nos últimos 5 anos a produção de doses de vacinas clostridiais aumentou 78%: inviável aumentar instalações para atender tamanha demanda – instalações são caras). O MAPA, usando o modelo animal ainda enfrenta o inconveniente de sofrer pressões nacionais e internacionais de reduzir o uso do modelo animal nos testes laboratoriais.

A solução proposta pela PSI imunologia é um método in vitro, um ensaio imunológico que permite testar a eficácia das vacinas em placas e quando ocorre alteração de cor para amarelo, indica que a vacina está boa, ou que a quantidade de proteínas está suficiente para produzir a vacina. Este teste já foi validado utilizando soros do próprio MAPA, o que muito agrega valor ao teste.

Desta forma, a empresa produtora de vacinas: vai economizar proteína, vai conseguir produzir mais doses de vacinas devido a esta economia e haverá redução de reprovação de lotes nos testes oficiais, já que o teste da PSI Imunologia estará normatizando o mercado, todos usarão o mesmo teste produzido dentro dos padrões de boas práticas, por uma empresa específica. Da mesma forma, os benefícios para o órgão regulador serão importantes, tais como, será capaz de testar 100% dos lotes de vacinas; fornecerá (como órgão regulador) resultados de eficácia mais precisos o que trás credibilidade para esta instituição e principalmente atenderá demandas de solicitação de redução de animais nos experimentos, o que também trará importante redução de custo com instalações para manutenção de animais.

Como é o seu nicho de mercado e quais as perspectivas sobre ele?

O nicho de mercado é bastante promissor, pois o principal comprador é o MAPA, órgão regulador da qualidade de vacinas veterinárias. O segundo nicho de mercado importante e cativo são os produtores de vacinas veterinárias.

Como está sendo o desenvolvimento de produção da tecnologia?

Será feita transferência de tecnologia para uma empresa. Estamos em processo de negociação. Assim, a empresa que licenciar a tecnologia irá vender o produto (testes) para o MAPA e para as empresas produtoras de vacinas veterinárias.

Vocês já receberam investimentos ou estão em busca de investimentos do governo ou de algum fundo?

Os recursos para desenvolvimento desta plataforma foram oriundos das próprias instituições parceiras, uma bolsa de mestrado, além de recursos do Programa de Incentivo à Inovação – PII/Fiocruz Minas de 2010.

Quando e como perceberam que a ideia/pesquisa/projeto poderia se tornar um produto/serviço inovador e vocês poderia transformá-lo em um negócio?

Devido à nossa participação no Programa de Incentivo à Inovação – PII/Fiocruz Minas de 2010, pois o auxílio e suporte na elaboração do EVETECIAS foram fundamentais para identificar que o projeto resultou em um produto inovador. Além disso, em 2015, com a nossa participação na BIO Latin America* identificamos que o produto tinha mercado, as empresas produtoras de vacinas demonstraram interesse no nosso negócio o que foi o início da validação da nossa tecnologia.

PSI no BioStartup Lab**

A PSI participou da 1ª rodada do BioStartup Lab (BSL) e foi uma das equipes que mais avançou ao longo do programa, superando cada etapa com muita dedicação.

A equipe é composta por pesquisadores com alta qualificação técnica, mas com pouca vivência de negócios e mercado, e por isso, no BioStartup Lab, superou cada etapa com muita dedicação, mostrando bastante aprendizado. Nesse ritmo de muito trabalho, a equipe chegou até o final, ficando entre as 10 melhores startups do programa.

O aprendizado foi tão importante que os pesquisadores buscaram voltar para suas instituições e inspirar outros pesquisadores. Nas atividades de prospecção para a 2ª rodada do BioStartup Lab, Patrícia Parreiras e Luiz Guilherme Heinene abriram as portas da Fiocruz e Funed para a equipe do BioStartup Lab apresentar o programa e convidar seus colegas.
Conheça mais sobre a PSI: www.biostartuplab.org.br/startups

Logo PSI*BIO Latin America (BLA) é um evento anual realizado pela Biominas Brasil em parceria com a BIO (Biotechnology Innovation Organization). O BLA é o maior evento da América Latina focado em negócios para o setor de ciências da vida e está com inscrições abertas para participação em sua edição de 2016: www.bio.org/latinamerica

**O BioStartup Lab é uma iniciativa da Biominas Brasil e do Sebrae Minas voltada para pessoas interessadas em criar soluções na área de ciências da vida. O programa de pré-aceleração de startups tem duração de 3 meses e busca impulsionar startups nas áreas de saúde humana, digital health, agronegócios, saúde animal, e meio ambiente. Saiba mais no site do BSL: www.biostartuplab.org.br