As Instituições de Ensino Superior brasileiras devem ser espaços relevantes de preparação, estímulo, conexão e acolhimento ao empreendedorismo, promovendo o desenvolvimento social e econômico por meio da Ciência. Para tanto, devem estimular a Educação Empreendedora e assumir papel de protagonismo no Ecossistema de Empreendedorismo e Inovação.

 

A relação das Instituições de Ensino com a educação empreendedora ainda é tímida, todavia. Pesquisa realizada pelo SEBRAE e Endeavor, em 2016, acerca do “Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras”, identificou um cenário pouco estimulante às atividades empreendedoras:

  • apenas 38,78% das universidades participantes da pesquisa (70 instituições brasileiras) possuem iniciativas relacionadas ao empreendedorismo, como disciplinas específicas, eventos de fomento e incubadoras de empresas;
  • de forma geral, não há práticas institucionalizadas, nas instituições de ensino superior, para estimular o desenvolvimento de soluções inovadoras para o mercado e a criação de novos negócios. O que se vê (quando se vê), na maior parte dos casos, são iniciativas pontuais conduzidas por alguns docentes, mas que geralmente produzem pouco impacto (justamente por serem isoladas);
  • os promotores do empreendedorismo nas universidades estão, em grande parte, desconectados do ecossistema empreendedor local, e também não possuem – ou jamais possuíram – experiências profissionais empreendedoras (46%). Destes, mais de 50% afirmaram que suas únicas iniciativas empreendedoras estiveram relacionadas a serviços de consultoria.

O que se vê, portanto, é a carência de instituições de educação como elementos-chave no ecossistema de empreendedorismo e inovação. Consequências diretas deste fato são estudantes e profissionais despreparados para empreender, além da natureza pouco inovadora dos negócios criados no Brasil. O Instituto Butantan cria, junto a Biominas, um MBA em Gestão da Inovação em Saúde formas de levar a inovação e o empreendedorismo para os profissionais da área de saúde, capacitando-os para a aplicação dos processos existentes entre pesquisa, patenteamento, produção e comercialização de produtos, com completo domínio de todo o arcabouço legal necessário para a transferência de tecnologia.

Esta situação pode – e deve, urgentemente – ser modificada. Obviamente não se trata de tarefa fácil, dada a complexidade do problema. Eis algumas provocações e inspirações práticas, neste sentido:

  • Mapeamento e socialização de práticas bem sucedidas de Educação Empreendedora promovidas por docentes, com foco na posterior institucionalização de tais práticas;
  • Inclusão de Projetos Práticos de Empreendedorismo nas matrizes curriculares dos cursos superiores: estímulo à proposição objetiva de soluções técnicas e científicas para os problemas diariamente vivenciados nas sociedades brasileira e global;
  • Associação das instituições de ensino superior a entidades que estimulam o empreendedorismo no Brasil, tais como Aceleradoras de Empresas, Incubadoras, Espaços de Coworking, Laboratórios Maker, Serviços de Apoio aos Negócios, Centros de Referência em Empreendedorismo e Gestão, Parques Tecnológicos e Grupos de Investidores;
  • Utilização de metodologias ativas de educação, que promovam o desenvolvimento de soft skills e competências empreendedoras, ao colocar os estudantes como protagonistas de seu processo de aprendizagem;
  • Utilização de tecnologias digitais na educação, promovendo, desde cedo, a conexão dos estudantes e professores com ferramental técnico contemporâneo e relevante às atividades empreendedoras.

Por isso, iniciativas como o MBA em Gestão da Inovação em Saúde, são fundamentais para o desenvolvimento dos profissionais de saúde no mercado de trabalho. A educação empreendedora, potencializa o capital humano e científico do país, estabelecendo uma conexão virtuosa entre Ciência e Negócios, e posicionando as universidades e centros de pesquisa como elementos fundamentais de um Ecossistema de Empreendedorismo e Inovação.